Só no Japão!

Reservado só para mulheres

Tudo começou nos trens, mas agora vários lugares têm reservado espaço só para elas

Redação Tudo Bem
16.09.2006
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Tudo começou nos trens, onde mulheres reclamavam do assédio masculino em horários de pico. Agora, vários estabelecimentos reservam lugares somente para elas

Os vagões exclusivos para mulheres surgiram como uma saída para assegurar que tarados não se aproveitassem do atrito corporal nas horas de pico dos trens para tirar uma lasquinha de mocinhas indefesas, às vezes nem tão mocinhas assim.

No entanto, uma matéria do Asahi Shimbum atenta para o exagero que as vagas exclusivas estão atingindo, como um restaurante no segundo andar da estação JR Hakodate, que reserva uma área, entre as 2 e 4 horas da tarde, somente para as mulheres.

“Ultimamente, lugares exclusivos para muheres estão se popularizando. Pensamos que havia a necessidade de um restaurante em que as mulheres pudessem relaxar e sentirem-se confortáveis como se estivessem sozinhas”, disse ao jornal Shoji Hasegawa, do restaurante Buon Viaggio.

O palpite estava certo, uma vez que a popularidade do restaurante aumentou após o espaço cor-de-rosa. No entanto, o público masculino vem reclamando o privilégio feminino, não só porque não podem admirar a beleza feminina ou aproveitar a situação para lançar um flerte. Mesmo em spas, clubes de esportes e até pachinkos reservam espaços femininos, o que para alguns homens, diminui o número de locais para os homens freqüentarem.

“A onda “women only” está indo longe demais”, reclama um homem por meio de um blog. Outro desabafa: “Eu sou homem e fumante. Daqui a pouco não haverá lugar para eu poder ir”. Isso porque diminuem os espaços para fumantes, uma vez que o Japão se empenha para diminuir sua população tabagista.

O tema vem sendo discutido em várias publicações. Na semanal Aera, uma pesquisa online sobre o assunto foi publicada, revelando a opinião sobre o restaurante Buon Viaggio. Das 393 respostas, 213 eram de homens e 180 de mulheres. Metade dos homens e um pouco menos de 40% das mulheres disseram que essa política de separação é um preconceito com os homens. Isso mostra que as próprias mulheres pensam a divisão como uma forma de discriminação – ou quem sabe, querem se integrar mais.

Um homem de 42 anos de Kanagawa pensa se os homens realmente são um problema. “Consigo entender isso para os trens, mas acho que em restaurantes, todos perdem com a divisão.” No entanto, um outro homem de Fukuoka, quer ir mais longe: “É simplesmente uma tática de mercado”. Exatamente, já que as mulheres que apóiam concordam que é confortável entrar em um lugar em que não há homens.

Além disso, descontos e promoções para o público feminino pipocam pelo Japão na busca de mulheres que nunca tinham ido a um pachinko ou filmes mais “masculinos”.

E isso vai longe: um cinema pornô em Osaka já reserva assentos para mulheres. Tudo para preservar a imagem das mulheres mais ousadas e atrair mais clientes.

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