Comunidade

Dificuldades vão muito além do idioma

Diferenças culturais e métodos de ensino fazem desse processo de adaptação

Redação Tudo Bem
08.01.2007
Gilberto Yoshinaga
Alunos estrangeiros recebem aula de reforço no CAED

O idioma diferente não é o único obstáculo enfrentado por uma criança brasileira que ingressa em um escola japonesa. Para a professora Alina Kinjo, que trabalha em escolas públicas japonesas de Sakahogi (Gifu), as diferenças culturais e de métodos de ensino também fazem desse processo de adaptação, um desafio mais complexo do que uma simples mudança de escola. Mas, na opinião dela, não há dificuldade que não possa ser superada.

“O idioma costuma ser a principal dificuldade, mas as crianças brasileiras também estranham bastante o sistema educacional japonês, que possui muitas regras e é bastante rígido”, compara a professora, que também vê grande importância no envolvimento dos pais. “Quando existe o apoio da família e, é claro, da própria escola em receber o estrangeiro, a criança geralmente consegue se adaptar à escola japonesa com mais facilidade.”

Para a professora, quanto mais tempo os pais levarem para matricular a criança, maiores serão as dificuldades. “As crianças mais novas costumam ter mais facilidade para assimilar um novo idioma ou uma cultura diferente”, sustenta. “Além disso, a partir da terceira e quarta séries do ensino fundamental japonês, o conteúdo fica mais complexo. Por exemplo, disciplinas como matemática e ciências passam a adotar termos técnicos e o uso de kanjis torna-se comum.”

REFORÇO
Alina também dá aulas de reforço para estrangeiros no Centro de Apoio Educacional (CAED), projeto criado pela Associação Amigos do Brasil (new SAB), de Minokamo (Gifu). São três aulas por semana, para cerca de 40 crianças, divididas em três turmas.
“Nosso objetivo é dar aulas de reforço para crianças estrangeiras que estudam em escolas japonesas e têm dificuldades com Matemática e aprendizado de kanjis”, explica a professora. As aulas do CAED são realizadas às terças, quintas e sextas-feiras, em Kani, uma cidade vizinha. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 090-2185-0452, ou ainda pelo site www.sabjp.org.

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