2008 promete ser bom para dekasseguis
Empreiteiras estão otimistas quanto ao mercado de trabalho

Para Takashi Nomoto, da empreiteira INC, de Gunma, as perspectivas no mercado de trabalho são boas em todos os setores
As opiniões sobre as previsões do mercado de trabalho para o próximo ano são otimistas. A maioria acredita que as perspectivas serão positivas. Apenas a InterCareer, de Aichi, traça um panorama não muito animador.
Segundo Takashi Nomoto, da empreiteira INC, de (Gunma), as perspectivas no mercado de trabalho são boas em todos os setores. “A tendência para o ano que vem, e para os próximos quatro anos, é de o mercado estar em alta. Em comparação com este ano, com certeza a expectativa para o ano que vem será bem melhor. Isso é devido ao lançamento dos modelos 2008 de carros de várias montadoras”, avalia.
O representante de uma empreiteira localizada em Yokkaichi (Mie) também vê com otimismo o ano de 2008 para os trabalhadores brasileiros. “A economia japonesa está em ritmo ascendente e com perspectivas muito boas. Pelo menos nos setores de eletrônicos e autopeças, não vai faltar emprego e nem disponibilidade de horas extras na maioria das empresas grandes”, arrisca. “No cenário político, os governos do Brasil e do Japão também tendem a se aproximar mais, por causa do centenário da imigração. E isso pode ter reflexos na vida do dekassegui.”

Para Auro Yoiti Kotsubo, da empreiteira InterCareer, de Nagoya (Aichi), as perspectivas não são tão animadoras
Hora extra
Para Jonas Kato, da empreiteira Hamafuji, de Toyohashi (Aichi), as expectativas são positivas. “O mercado de trabalho está aquecido faz tempo, desde o ano passado (2006). Essa tendência deve continuar, pelo menos nas fábricas com quem mantemos contrato. Quer dizer também que o número de horas extras será bom, mas existe um limite estabelecido pela lei trabalhista que não pode ser ultrapassado.”
Otimista, Kato acredita que o bom desempenho terá vida longa: “os setores de eletrônicos e autopeças estão em alta e devem continuar assim. Por exemplo, tem uma empresa que fabrica caixas eletrônicos de bancos que precisará de funcionários por um bom tempo. É que muitos caixas estão sendo substituídos por máquinas com novos recursos e, inclusive, comandos em português. Ou então serão exportados para a China”, explica Jonas.
Estabilidade
Já Daniel Ko Omura, da empreiteira Kowa, de Isesaki (Gunma), prefere não arriscar. “De imediato ainda não temos uma previsão de como será o mercado, mas deve permanecer estável”, conclui.
“A tendência geral é de alta para as empresas de eletrônicos e autopeças, principalmente na segunda metade do ano. Mas ainda é cedo para tentar fazer previsões, porque tudo vai depender do fechamento do ano fiscal das empresas, a ser concluído em abril”, diz o representante de uma empreiteira localizada em Anjo (Aichi). “Também é arriscado querer prever se 2008 será um ano positivo para algum setor de trabalho porque a produtividade varia de empresa para empresa. Aliás, mesmo dentro de uma determinada fábrica, o ritmo depende do produto ou do tipo de peça a ser produzida.”
Pessimismo
Para Auro Yoiti Kotsubo, da empreiteira InterCareer, de Nagoya (Aichi), as perspectivas não são tão animadoras. “Pelo que tenho percebido, este fim de ano está menos produtivo por vários fatores, entre eles a desvalorização do dólar e a alta do petróleo”, explica. “Se a situação não melhorar entre janeiro e fevereiro, não creio que haverá mudanças após o fechamento do ano fiscal. Neste caso, as empresas que tiverem de conter gastos tenderão a fazer duas coisas: contratar mão-de-obra asiática, que é mais barata, ou demitir os trabalhadores mais velhos, entre os quais os brasileiros.”
Kotsubo acredita que os brasileiros tendem a perder espaço para a mão-de-obra oriunda de outros países asiáticos, como China, Viet-nã e Camboja. “De modo geral, o trabalho do brasileiro rende mais, mas a diferença do custo para as empresas é grande. Há vietnamitas que trabalham muito bem por um salário de 70 mil ienes e ficam felizes com 700 ienes por hora extra”, explica. “De qualquer forma, não creio que faltará trabalho para quem é disciplinado e com algum diferencial, como nihongo ou um curso de solda, por exemplo.”
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