Preso brasileiro que matou três no Japão
Através de informações anônimas, a polícia de Bastos localizou Edílson Donizete Neves, que usava nome falso em uma pequena cidade de SP
A polícia de Bastos, no interior de São Paulo, prendeu Edílson Donizete Neves, 45 anos, acusado de matar três pessoas no Japão em 18 de dezembro de 2006. Ele foi encontrado terça-feira 15 em uma chácara de Sarutaiá, pequena cidade localizada na região de Ourinhos, a 326 quilômetros da capital paulista.
Neves, também conhecido por Goiaba, não esboçou reação ao receber voz de prisão. Após ser detido, foi levado para a Cadeia Pública de Rinópolis, onde vai aguardar julgamento por homicídio triplo, conforme o pedido de punição da polícia japonesa. A primeira audiência está marcada para o dia 21 de fevereiro.
Segundo jornais japoneses, a polícia chegou até Neves através de informações anônimas. A princípio, acreditava-se que ele poderia estar em Bastos (SP), cidade onde morava antes de vir ao Japão. Mas o acusado estava administrando uma empresa de laticínios e usava um nome falso. Inclusive, usava cartão de crédito que não lhe pertencia.
Neves é acusado de estrangular a namorada, Sônia Aparecida Ferreira Sampaio Misaki, 41 anos, e os dois filhos dela, Hiroaki, 15 anos, e Hiroyuki Misaki, 10 anos. Os crimes aconteceram em Yaizu (Shizuoka), onde o assassino trabalhava numa indústria de beneficiamento de peixes. Os corpos só foram encontrados quatro dias depois pelo pai das crianças, Marcílio Koichi Misaki. Ele foi comunicado pela escola que seus filhos não estavam comparecendo às aulas e por isso dirigiu-se ao apartamento onde eles moravam.
Uma discussão sobre o fim do relacionamento entre Neves e Sônia, além de problemas financeiros, teria sido a causa dos assassinatos. O fato foi revelado por dois brasileiros de Shizuoka (capital da província de mesmo nome) que foram presos por terem ajudado o acusado a fugir para o Brasil no dia seguinte ao crime.
Neves trabalhava na Prefeitura de Bastos antes de vir ao Japão, em 1993. Lá, ele também fazia bicos de encanador e eletricista nas horas vagas. A polícia de Yaizu apurou que o brasileiro, recentemente, lidava com locação de filmes e também como agiota, emprestando dinheiro e fazendo cobranças.
Pena de morte
Marcílio disse que ficou aliviado ao saber da prisão de Neves pelo noticiário da TV japonesa. “O cara não poderia ficar impune. As policias do Brasil e do Japão fizeram um trabalho muito bom. Vamos aguardar agora para que ele seja condenado”, afirmou o pai das vítimas quarta-feira 16.
Segundo Misaki, a pena de morte seria uma punição justa, mas como esse tipo de sentença não existe no Brasil espera-se pelo menos a condenação máxima nos casos de homicídio qualificado, que seria de 30 anos de prisão. “Estou ainda em dúvida se vou ou não ao Brasil para acompanhar o caso”, comentou.
CRONOLOGIA
2006
22 de dezembro – Sônia, Hiroaki e Hiroyuki são encontrados mortos em Yaizu e as suspeitas caem sobre Edílson Donizete Neves, que já tinha fugido para o Brasil e teve a prisão decretada no Japão pelo assassinato do filho mais velho. O crime aconteceu quatro dias antes.
2007
13 de janeiro – A polícia prende Nelson Takayoshi Shimada e Mariza Michiko Higashi, amigos que ajudaram o acusado a fugir um dia depois do crime. O casal revelou que Neves e Sônia estavam tendo constantes discussões porque ela queria terminar o relacionamento.
16 de janeiro – A Interpol (polícia internacional) começa a procurar Neves no Brasil, mais precisamente em Bastos, onde morava antes de vir ao Japão. Mas ele não poderia ser preso em território brasileiro sem um mandado.
7 de fevereiro – Marcílio Misaki diz em entrevista coletiva que desejaria a pena de morte de Neves, apesar desse tipo de punição não existir no Brasil.
9 de maio – Nelson Takayoshi Shimada e Mariza Michiko Higashi são condenados a um ano de prisão, mas cumprem a pena em liberdade condicional por um período de três anos. Shimada revela que foi ameaçado por Neves caso ele não o ajudasse a fugir depois do crime.
25 de maio – Neves é indiciado no Japão por homicídio triplo. Até então, ele estava sendo acusado somente pela morte de Hiroaki Misaki, o filho mais velho da ex-namorada. Com a coleta e união de provas, o brasileiro passa a responder pela morte da mãe e do filho mais novo também.
10 de dezembro – A Justiça brasileira recebe o processo com mais de mil páginas enviado pela polícia japonesa e expede mandado de prisão.
2008
15 de janeiro – Neves é preso em Sarutaiá e aguarda julgamento na Cadeia Pública de Rinópolis. A primeira audiência está marcada para o dia 21 de fevereiro.
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