Corolla Levin: valorizando as raízes do drift
Dois brasileiros decidiram voltar no tempo e resgatar as raízes do drift, adquirindo, cada um deles, o lendário Corolla Levin AE186, da Toyota

Fabricados em 1983, os Levin AE86 dos dois brasileiros ganharam motores de Silvia S15
A maioria dos carros utilizados pelos brasileiros que praticam drift é equipada com turbo e motores com pelo menos 300 cavalos de potência, o que garante boas arrancadas com certa facilidade e melhores recursos para controlar a pilotagem.
Porém, há cerca de 25 anos, quando o drift ainda nascia como esporte, as coisas eram bem diferentes. Os principais pilotos japoneses utilizavam o simpático Corolla Levin AE86, da Toyota. Popularmente conhecido como “hachi-roku”, o carro foi produzido entre 1983 e 1987 e possuía motor de 100 cavalos, três vezes inferior aos modelos utilizados pelos drifteiros da atualidade.
Dois pilotos brasileiros decidiram resgatar as raízes do drift e, para conhecer as reais emoções vividas pelos pioneiros do esporte, resolveram adquirir exemplares do lendário Corolla Levin AE86. Diego Shimazaki, 22 anos, de Komaki (Aichi), que corre pela equipe Evolution Motors; e Rafael Kawasaki, 25 anos, de Nagoya (Aichi), que defende as cores da equipe Inguant”s.

O interior deve ficar quase “pelado”, para reduzir o peso e melhorar o rendimento nas pistas
Os dois pilotos trocaram o motor original de seus AE86 por motores de Silvia S15, elevando a potência de 100 para 180 cavalos. Mesmo assim, é algo distante dos 300 cavalos (ou mais) dos carros turbinados. Para melhorar o desempenho de seus hachi-roku, os brasileiros procuraram eliminar todo peso extra dos carros, deixando-os quase “pelados” por dentro. Tanto Shimazaki quanto Kawasaki possuem outros carros, turbinados, que utilizam nas principais competições de que participam. O primeiro costuma correr com um Silvia S15, da Nissan, e o segundo, com um Laurel, da Toyota.
“A emoção é diferente porque o hachi-roku é mais barulhento e trepida mais”, diz Shimazaki, que jura ficar com dores nos braços no dia seguinte em que corre com o AE86. “Mas é legal podermos sentir tudo o que os primeiros pilotos de drift sentiam, cerca de 25 anos atrás. E, ainda hoje, muitos japoneses utilizam o hachi-roku em competições.”
Kawasaki gosta de correr com seu AE86, porque já conseguiu obter bom rendimento com ele e surpreender o público. “O hachi-roku tem muito menos potência. Por isso, quando conseguimos superar um carro turbinado, a satisfação é dobrada”, explica ele. “Este carro também exige muito mais técnica para fazer as manobras no braço, porque seu ritmo para percorrer o traçado das pistas é diferente.”
HISTÓRIA
Lançado em 1983 pela Toyota, o Corolla Levin AE86 foi produzido até 1987 e teve duas versões, cupê e hatch (com traseira “cortada”). Na época, o carro logo tornou-se o “xodó” dos pilotos de competições esportivas do Japão e de outros países para onde foi exportado. No drift, quem o popularizou foi o lendário Keiichi Tsuchiya, hoje conhecido pelos japoneses como Dori-Kin (de “drift king”, ou “rei do drift”, em inglês). Por isso, o hachi-roku é diretamente associado à origem do esporte que mais encanta os brasileiros no Japão.
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