

Em qualquer competição brasileira de drift no Japão, é impossível não se deparar com algum trabalho feito pelo aerografista Tiago Roberto dos Santos, 25 anos, que reside no Japão há cerca de três anos. Com seu talento sendo cada vez mais requisitado, o artista conseguiu abandonar a fábrica há quase cinco meses e montou a oficina Artmania em sua própria casa, em Nishio (Aichi). Hoje, consegue viver exclusivamente da aerografia.
Santos se considera um aerografista versátil porque, em 10 anos de profissão, já pintou de tudo: carros, motos, ônibus, caminhões e até helicópteros e aviões – incluindo a turbina de um caça. “No Brasil, entre 2001 e 2004, trabalhei no aeroporto de Vera Cruz, no interior de São Paulo. Lá, pintei 35 aviões e dois helicópteros”, conta o artista. “Um dos trabalhos mais importantes foi pintar a turbina Allison J33-A35, de um avião caça Gamberra que participou da Guerra das Malvinas.”
No Japão, seus principais clientes têm sido os pilotos brasileiros de drift. “Faço toda a pintura, incluindo o grafite personalizado, e também aplico adesivos nos carros”, explica Santos, que ultimamente tem colocado sua arte até mesmo nas tampas de motor dos carros de competição e em capacetes – também para motociclistas. “Eu crio os desenhos conforme cada piloto quer e de acordo com as características de cada um. Geralmente, as pessoas já me sugerem algum desenho e, se necessário, eu faço algumas adaptações no mesmo.”
Ultimamente, Santos tem pintado muitas tampas de motor para carros de driftTRAJETÓRIA
Aos 13 anos, por brincadeira, Santos fez um desenho no capacete de um amigo, utilizando uma canetinha. O amigo gostou, mandou envernizar o capacete e encorajou-o a apostar em seu talento. “A partir daí, fiquei interessado em me aprofundar no ramo”, lembra. Aos 15 anos, começou a grafitar bonés e, no ano seguinte, montou uma oficina em Marília, sua cidade natal. “Na época, cheguei a personalizar cinco mil bonés por mês, com a ajuda de oito funcionários. Mas, como muita gente me perguntava se eu fazia pintura automotiva, decidi fazer um curso e comecei a arriscar uns rabiscos com o uso de aerógrafo.”
O artista começou a personalizar capacetes aos 17 anos e, em pouco tempo, passou para tanques de motocicletas. “Depois, conforme aperfeiçoei minhas técnicas, comecei a grafitar capôs de carros também”, conta. “Depois disso, vieram os aviões e helicópteros. Muita gente me dizia que meu talento poderia ser mais valorizado no Japão e, por curiosidade, decidi vir para cá em 2005, junto com minha esposa Lilian, que é nikkei.”
Os primeiros trabalhos no Japão foram feitos para alguns amigos próximos. Rapidamente, comentários sobre o talento de Santos se espalharam entre motoqueiros e pilotos de drift da comunidade. “Larguei a fábrica no final de dezembro do ano passado e consigo sobreviver do meu trabalho como aerografista. Por enquanto, não sobra dinheiro, mas também não passo necessidade”, diz. “A vantagem de estar aqui é que o Japão me permite ter equipamentos e materiais de alta qualidade para trabalhar, coisa que o Brasil não me proporcionava.”
