Nos bastidores do D1, a elite do drift no Japão
Conheça a modalidade expert do esporte que a cada dia atrai mais praticantes e simpatizantes

Com carros totalmente equipados, o D1 japonês oferece muita adrenalina para quem dirige e também para quem vai assistir às emocionantes corridas no autódromo
“Estive na cobertura do circuito de exibição do D1 em Odaiba, Tokyo, para o jornal Tudo Bem. Quando fui me cadastrar na recepção, tive uma surpresa. Um dos organizadores se aproximou e perguntou: “você quer andar em um desses carros?” Depois de alguns minutos, lá estava eu, colocando máscara e capacete. Ao entrar no carro, me apertaram uns quatro cintos de segurança por todo o corpo. Nessas horas, toda a segurança parece pouca. Depois disso, o motor começou a roncar. O carro disparou pela reta e quando chegou a curva, o piloto jogou a lateral e só se ouvia o estridente som das rodas derrapando pela pista. Foi-se a minha dose de adrenalina do mês inteiro em alguns décimos de segundo”.
César Hirasaki, repórter do jornal Tudo Bem, experimentando a adrenalina das derrapadas da D1, a maior categoria do drift japonês
O velocímetro marca mais de 130km/h. Algumas dezenas de metros à frente, uma curva sinuosa de 210 graus. Antes mesmo de encarar o obstáculo, o piloto posiciona o carro de modo perpendicular à pista. Em meio à fumaça, o traseiro da máquina chega a poucos centímetros do guard rail externo, queimando o asfalto com as quatro rodas que deslizam sobre ele. Mais do que uma simples corrida, o drift é um show.
Mas para competir na liga profissional japonesa, o D1, é preciso muito mais que sangue frio para pisar no acelerador. Reflexos rápidos, técnica apurada e uma grande dose de ousadia são requisitos básicos para participar do campeonato – e é claro, um carro possante, de preferência, bem chamativo.
Mas a competição anual, o D1 Grand Prix, que acontece nas pistas de todo o arquipélago, exige muito mais do que velocidade, pois ergue o troféu aquele que fizer o circuito mais “kakkoii”, ou seja, mais radical.
O Campeonato
Todos os competidores precisam dar o máximo de si em cada temporada. O motivo é simples: se não conseguirem se classificar pelo menos uma vez durante as etapas, sua licença expira no ano seguinte. Sem o documento, o piloto não pode competir. Para voltar à ativa, o candidato deve tirar a licença novamente.
Tudo começa na etapa classificatória. Cinquenta ou mais participantes disputam 20 vagas para participar da primeira rodada. Os veículos se apresentam individualmente e são avaliados pelos jurados em diversos aspectos: velocidade máxima, execução da curva sem interrupção do som da aceleração e manter um ritmo médio constante. Além do que, neste ano, algumas regras mudaram, deixando a temporada mais competitiva.
Carros convencionais que atenderem aos requisitos pré-determinados são automaticamente dispensados da etapa classificatória, assim como os dez melhores pilotos do circuito anterior. Dessa forma, 30 pilotos, no total, têm o direito de ir para a rodada seguinte.
Na primeira rodada, a intenção é enxugar o contingente para 16 corredores. Também há disputa em apresentações individuais avaliadas pelo corpo de jurados. É nessa etapa que os carros são separados em duplas para a fase final, quando a competição se transforma no chamado “tsuisou”, ou corrida de perseguição.
A rodada final, sem dúvidas, é a mais emocionante. Só quem chega até aqui pontua no ranking do D1. As duplas (primeiro colocado disputa com o 16º, o segundo com o 15º e assim por diante) entram no percurso como se estivessem perseguindo um ao outro. O piloto que vai à frente deve apresentar o seu melhor “drift” da maneira mais veloz possível, enquanto o carro de trás tenta executar as manobras de seu oponente e ultrapassá-lo. Cada dupla disputa duas vezes, invertendo as posições. O tsuisou é disputado até serem definidos o campeão, passando pelas quartas, semifinal e final.
Além de subir no degrau mais alto do pódio, o vencedor ainda leva 25 pontos no ranking. O segundo colocado acrescenta 21, o terceiro 17, e assim por diante, com o decréscimo de quatro pontos por colocação, o que torna a temporada ainda mais competitiva (até o ano passado, a pontuação caía de dois em dois pontos).
Veja mais na edição 798 do jornal Tudo Bem.
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